Todos os componentes que fazem parte da oração precisam estar harmônicos, ou seja, em concordância nominal. E quando este corresponder ao sintagma nominal (parte da oração cujo núcleo é o substantivo), ocorre a Concordância Nominal.

Assim, a norma geral da Concordância Nominal dita que todos os determinantes (numeral, pronome adjetivo e artigo, adjetivo) devem entrar em harmonia quanto ao número do substantivo e ao gênero. Por isso, se o substantivo estiver no feminino singular, o determinante também deverá estar, porém se estiver no masculino plural, os determinantes terão que acompanhar.

MasculinoFeminino
Singularoa
Pluralosas

Ex.

Meu irmão é lindo.

(pronome + substantivo + verbo + adjetivo)

Se o substantivo da oração ficar no feminino, as palavras que o acompanham precisaram realizar a mesma transição, de modo que harmonize e aconteça a concordância nominal.

Minha irmã é linda.

(pronome + substantivo + verbo + adjetivo)

O mesmo ocorre se a transição for no número do substantivo (singular para o plural).

Minhas irmãs são lindas.

(pronome + substantivo + verbo + adjetivo)

Embora diversas palavras da língua portuguesa não sejam terminadas pelo modo mais simples (-o, -a, -os, -as), a norma da concordância tende a ser sempre esta. O número e o gênero do substantivo determinam o número e o gênero dos termos que o transformam.

E quando o adjetivo for empregado depois de dois ou mais substantivos? 

Nessa situação, será necessário prestar atenção ao gênero do substantivo, observe:

  • Substantivo do mesmo gênero – o adjetivo fica no plural ou entra em concordância com o mais próximo. Ex. 

O país tem chapada e montanha deslumbrantes.

O país tem chapada e montanha deslumbrante.

  • Substantivo de gêneros diferentes – o adjetivo fica no plural masculino ou entra em concordância com o substantivo mais próximo. Ex. 

O marido e a esposa gordos voltaram para a entrevista.

O marido e a esposa gorda voltaram para a entrevista.

A esposa e o marido gordo voltaram para a entrevista.

No caso da norma para substantivos com gêneros distintos, embora as duas maneiras estejam certas, é comum as pessoas utilizarem a concordância no plural masculino. Pois quando há concordância somente com o mais próximo, a impressão é de que o adjetivo faz referência apenas a ele.

No entanto, esse sentimento não é verdadeiro, já que a norma permite a dupla concordância e nas duas o adjetivo refere-se aos dois núcleos do substantivo.

O adjetivo também pode vir colocado antes do substantivo?

Sim, e nessa situação existem duas maneiras de concordância nominal. No entanto, o que coordenará a seleção não será o gênero do substantivo, mas o tipo dele, se é próprio ou comum. Observe a regra:

  • Adjetivo colocado antes a dois substantivos comuns – deve estar em concordância do adjetivo mais próximo. Ex. 

O primo ganhou belo relógio e camisa.

O primo ganhou bela camisa e relógio.

  • Adjetivo colocado antes a substantivos próprios – nesse caso, o adjetivo deve surgir no plural. Ex.

Os maravilhosos Guimarães e Machado são mestres da Literatura Brasileira.

Mas e se um substantivo sofrer mudança de dois adjetivos?

Nessa situação, o adjetivo poderá surgir de três maneiras diferentes.

I. No singular: A disputa canadense e peruana;

II. No singular: com a repetição do artigo: A disputa canadense e a peruana;

II. No plural: As disputas canadense e peruana.

Quais os casos de dúvida na Concordância Nominal?

Existem situações de concordâncias que criam várias dúvidas, porque há distinção entre a linguagem coloquial e a norma culta. Observe a seguir:

1 – Anexo, incluso e obrigado –

entram em concordância com o substantivo ou pronome do substantivo a que fazem referência, já que praticam a função de adjetivo. Alguns gramáticos já consideram a expressão “em anexo” uma invariável.

Ex. 

Preciso mandar anexos ao e-mail os documentos.

As tarifas inclusas no cartão são ilegais.

Obrigado – quando o agradecimento vier de alguém do sexo masculino.

Obrigada – quando uma pessoa do sexo feminino fizer um agradecimento.

2 – Mesmo e bastante –

aqui será preciso dar atenção à classe gramatical desses termos, uma vez que podem ter o propósito de advérbio ou pronome. Nessa situação, será invariável, enquanto na outra estará em concordância com o substantivo ao qual se refere.

Ex. 

Descobrimos que nos gostamos mesmo! (mesmo = realmente)

Os alunos mesmos fabricaram os cadernos.

No calor as crianças se cansam bastante. (bastante = muito)

Gosto muito de ler Augusto Cury, tenho uma área com bastantes obras de sua autoria. (bastantes = muitos)

O uso do termo Bastante pode ser difícil para certos indivíduos, principalmente porque a linguagem coloquial não faz distinção entre as classes gramaticais, sendo comum classificá-lo somente como advérbio, assim invariável. No entanto, é sabido que isso não acontece, pois ele pode ainda ser um adjetivo, e como tal, fará concordância com o substantivo a que se refere.

Portanto, a dica aqui é trocar bastante por muito ou muitos, onde na primeira ocorrência será invariável, e na segunda variável, ou seja, estará no plural.

3 – Caro, barato e só –

quando mudam o verbo, podem ser advérbio, e quando definem o substantivo, podem ser adjetivos.  

Ex.

As paradas rodoviárias estão muito caras.

Todo viajante paga caro para hospedar-se em bons resorts.

As bananas estão caras, por isso compre apenas figos quando estiverem baratos.

As bijuterias sempre custam caro.

Os produtos que estão na sala são ótimos, mas custam caro ou barato?

Hoje, amanhã e sempre, eu  desejo você!

Minhas amigas sempre estiveram sós.

4 – Meio –

pode realizar a função de advérbio ou numeral, em que no primeiro caso será invariável, e já no segundo entrará em concordância com o substantivo, sendo também um adjetivo.

Ex. 

Bebi meia taça de suco de morango e estou meio tonta.

5 – É bom, é proibido, é necessário –

esses são outros casos onde há escolhas que influenciam na concordância. Observe abaixo:

  • Termo acompanhado por determinante (pronome adjetivo ou artigo) deve estar em concordância com o determinante. Ex. 

É proibida a passagem de motociclistas.

É necessária a precaução.

A diversão é boa para a mente.

  • Termo sem determinante, adjetivo invariável. Ex.

É proibido passagem de motociclista.

É necessário precaução.

É bom alongar antes de correr.

6 – Menos –

por ser um termo invariável, menos sempre terá esta grafia, mesmo quando vir acompanhado de um substantivo feminino. Lembrando que, a palavra “menas” não existe.

Ex. 

Ela possuía menos porcelanas do que ele.

7 – Cores –

geralmente, a concordância com cores causa várias dúvidas. Desse modo, na norma geral, as cores devem concordar com o substantivo que fazem referência, quando variáveis.

Ex. 

A pasta é amarela.

Os brinquedos são azuis.

No caso do nome da cor fazer referência a um substantivo (rosa, laranja, etc.), a cor será invariável.

Ex.

As pastas são laranja.

Os brinquedos são rosa.

Porém, quando o nome da cor é construído por dois adjetivos (o segundo definindo o tom), é usual deixar o primeiro invariável no gênero masculino e o segundo realizando a concordância.

Ex. 

A pasta é amarelo-clara.

Os brinquedos são azul-escuros.

Contudo, se o segundo adjetivo fizer referência a um substantivo, a regra da cor invariável retorna.

Ex.

As pastas são verde-água.

Os brinquedos são azul-celeste.

Quais palavras não admitem flexão de gênero na Concordância Nominal?

Em alguns casos, o substantivo pode ser representado por palavras que indiquem nomes de cidade, rio, vinho, etc., além dos pronomes de tratamento. Dessa forma, como é possível realizar a concordância entre eles e o adjetivo, visto que não têm flexão de gênero?

Então, para essas situações, as normas são específicas:

Pronomes de Tratamento

Grande parte dos pronomes de tratamento não admite flexão de gênero, ou seja, não muda do masculino para o feminino e vice e versa. Sendo assim, o que fazer com o adjetivo quando estiver lidando com o pronome de tratamento? Observe a regra:

A norma diz que o adjetivo quando fizer referência ao pronome de tratamento deverá concordar com o indivíduo a quem o pronome estiver mencionado. Por isso, os indícios do texto, o contexto (ocorrência) e o conhecimento de vida (aprendizados obtidos ao longo da jornada, fora ou dentro da escola) serão cruciais, uma vez que o gênero não é destacado no pronome. Confira alguns exemplos:

Vossa Excelência não está contente com o ritmo do processo. (juíza)

Vossa Santidade é sempre amado.

Vossa alteza está encantado com o surgimento do amigo. (príncipe)

No primeiro e terceiro exemplo, o contexto foi indispensável para definir a concordância, já que ambos os pronomes de tratamento podem fazer referência a mulheres e homens. Com relação ao segundo exemplo, trata-se do conhecimento de vida, pois Vossa Santidade faz referência ao Papa e esse cargo somente ainda é ocupado por homens.

Palavras que simbolizam nomes de cidades, vinhos, rios, etc.

A norma diz que o adjetivo deve estar em concordância com o gênero da palavra. Por exemplo, vinho é um substantivo que pertencerá eternamente ao gênero masculino, portanto, o adjetivo que fizer referência a ele, deverá ser empregado no masculino.

Assim, isso se repetirá em todos os termos abordados. Veja nos exemplos:

A fabulosa Manaus. (a cidade)

O barrento Sena. (o rio)

O etílico Pericó. (o vinho)

Algumas maneiras da Concordância Nominal causam estranhamento, porque no geral, não são utilizadas pela maioria da população na rotina diária. No entanto, não é pelo desuso que elas devem ser esquecidas de vez, pois não deixam de estar corretas ou existir na língua portuguesa. Por isso, é importante que sejam estudadas e analisadas para que estejam à disposição quando forem solicitadas em documentos imprescindíveis.

Dessa forma, pode-se perceber ainda que a Concordância Nominal não é algo complexo, basta pensar antes de utilizar as normas. Lembrando que, os aprendizados e conhecimentos morfológicos obtidos durante o processo, auxiliam bastante na sintaxe de concordância. Assim, a língua não deve ser encarada como algo fragmentado, e sim um todo composto de partes.

Exercícios Resolvidos

Questão 1 – Partindo do pressuposto de que algumas classes de palavras se caracterizam como invariáveis, analise as orações abaixo, optando por atribuir-lhes o termo correspondente.

a) garota parece ————- confusa. (meio/meia)

b) Comemos ————pizza durante o rodízio com amigos. (meio/meia)

c) São ——————-as reclamações sobre a mudança de itinerário. (bastante/bastantes)

d) Por hoje já basta, pois estamos ———————cansadas. (bastante/bastantes)

e) Perdemos ———————-chances de demonstrarmos nosso talento. (bastante/bastantes)

Respostas – a) meio, b) meia, c) bastantes, d) bastante, e) bastantes.

Questão 2 – O professor pediu aos alunos que lhe mandassem por e-mail pequenos resumos dos dois livros discutidos em aula, mas aproveitou para incluir uma questão gramatical: era obrigatório usar a palavra “anexo” na mensagem. Qual das alternativas abaixo mostra o trecho da mensagem que atendeu corretamente o pedido do professor e está de acordo com as normas da língua-padrão?

a) Professor, segue anexo os dois resumos pedidos.

b) Mando-lhe em anexo os dois resumos pedidos.

c) Anexos os resumos pedidos, encaminho-los a vós.

d) Enviam-se em dois anexos com o que foi pedido.

e) Vou estar enviando agora os dois resumos anexados.

Resposta

Alternativa b está correta, pois o uso de “em anexo” é invariável, não apresentando desvios da norma-padrão da língua portuguesa. As construções das outras alternativas apresentam desvios da norma-padrão não só com relação ao uso da palavra “anexo”, mas na construção das sentenças.

Questão 3 – Qual alternativa não apresenta erros de concordância?

a) Isso lhes garante excelente perspectivas de vencer o campeonato.

b) É proibido a passagem de pessoas não autorizadas.

c) Eu não gosto desses vícios seu.

d) Das pessoas envolvidas, dois mil não sabem como ficarão depois de tudo isso.

e) Tenho muitas roupas azul-marinho.

Resposta

Alternativa e, pois “azul-marinho” é invariável, seguindo a mesma regra de “azul-celeste” e outras cores compostas por dois adjetivos em que o último faz referência a um substantivo. As outras alternativas deveriam ser: “excelentes perspectivas”, “é proibida a passagem”, “desses vícios seus” e “das pessoas envolvidas, duas mil não sabem”.